terça-feira, 11 de maio de 2010

O melhor amigo do homem

Tem dias, que é pura merda! E eu? preciso tomar uma cachaça.
Ursx, esses é dos bons!!!
Olha, não sou de beber. Não pense que sou de encher a cara todos os dias. É raro eu tomar uma birita. Só trabalho, feito um condenado. E de que merda adianta? Trabalho, trabalho e trabalho e to sempre na merda.
Mas amigo, me vê mais uma. Ursx-vixe!!!
Tive um dia de cão, mas daquele mais vagabundo que você pode imaginar.
Já ta tarde, né? Que horas são?
Eu queria ter um amigo nessas horas pra poder falar. Mas são tudo uns veado, filho de uma puta.
Tenho certeza que ela me traiu. Só pode! Ela nunca sai maquiada, daquele jeito.
Sabe, garrafa, a vida é uma coisa...


Ontem eu estava muito mal. Pensei que iria estourar meu fígado e rim. Não que eu esteja melhor, vendo que estou falando sozinho...

Ai que dor de cabeça! E já são... OITO E QUINZE!!!
Preciso correr para o trabalho.


Estava muito transtornado.
Tá certo que a vida é uma merda, mas eu tenho o direito de falar.
Posso falar?
É que eu não tinha entendido, achei que você ia me largar.
Você não vai me deixar, né?


Tainá Pires

Clássicos do cinema italiano

Repassando o convite da italianíssima e pensante Elvira,
Em cartaz:

"As mil e uma noites" 1974
"Mamma Roma" 1962
"Medéia, a feticeira do amor" 1969
"O evangelho segundo São Mateus" 1964
"Desajuste social" 1961

Entre os dias 18 e 23 de maio 2010 às 19h30min.
Local: Paço da Liberdade, Praça Generoso Marques, Centro.

O evento tem a presença do Diretor do Instituto Italiano de Cultura de São
Paulo, Attilio De Gasperis, com a palestra "Pasolini: uma desesperada vitalidade"
no dia 18 de maio às 19h30.



Vamos???

domingo, 9 de maio de 2010

Encontro secreto

Colibri estava a espreita num supermercado. Tão lotado que eu conseguia caminhar, piscar e respirar ao mesmo tempo sem ser percebida. Eis que Colibri faz um sinal, avisa que está tudo certo Pode publicar o seu texto lá, agente escritora secreta.
Pena que estava tudo tão armado para não nos descobrirem, que não avisei. Estava sem luz elétrica no casebre literário.

Retornando a luz, publica-lo-ei.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Estou viva...

Eu ainda não postei o meu texto, porque não consegui desenvolvê-lo depois da aula. Mas até o final de semana ou eu termino ou o coloco para vcs me ajudarem a finalizar.

E vamos analisar os textos que aqui estão!

Revelações Secretas...

- Não, não pode continuar desse jeito. Não suporto mais! Vou acabar agora mesmo com essa treva! E lá do oitavo, olho para baixo. Sinto tontura. Fecho os olhos... E num desses momentos de total desequilíbrio meu corpo despenca lá de cima em direção ao solo.

É nessas circunstâncias que em poucos segundos, inconscientemente fazemos uma retrospectiva de momentos marcantes de nossas vidas...

Como um corpo em queda livre tem uma aceleração constante e uniforme, vou usar dos meus direitos e reproduzir esta cena em câmara lenta com alguns congelamentos de imagens em momentos específicos. Assim poderei confessar o inconfessável... Relatos que só vem a tona em situações cruciais.

Aos três anos de idade, matei meu professor de geografia, só por que o pobre falou que Maceió era uma cidade litorânea, capital de Alagoas, localizada na região Nordeste do país. Insistentemente ele dizia que tal palavra não significava alguém com crise de piti, que após ter amassado vários papéis, exibe-os com ar de vitória: - Amassei ó!
Após a execução, depositei o corpo do infeliz na caixa cor de rosa onde guardava os brinquedos que me desapontavam.

Na semana seguinte, fiz uma operação macabra trocando as cabeças de duas bonecas: uma loira e outra morena. Elas odiaram, choraram muito, mas mesmo assim mantive a troca pois achei que ficaram lindas.

Aos quatro anos ( congelar imagem) matei minha professora de história, pois ela insistia que não havia rei na Rússia, e muito menos príncipes e princesas.Coloquei seu corpo na mesma caixa cor de rosa que ocultei o professor de geografia.

Aos cinco anos matei Papai Noel por razões óbvias: ele simplesmente não existia. E o danado do velho continuou me trazendo presentes mesmo depois de morto.

Aos doze, me apaixonei perdidamente por meu professor de matemática de quarente e dois. Descobri então que ele era casado com uma louraça comprida, e com ela havia dividido e multiplicado. Dessa operação resultou em dois moleques mal encarados. Desolada, decidi suicidar-me devorando uma tigela imensa de gelatina de morango. Gelatina light pois não queria engordar. A tentativa foi frustrada, mas o conteúdo da tigela estava uma delicia. Lembro-me até agora de ter raspado com a colher até o último vestígio daquela maravilhosa iguaria adornada com frutas vermelhas.

Aos quatorze anos, eu... Não! Não vai dar tempo... Brammmmm... Ai ai ai que dor!!!
Meu traseiro vai de encontro ao tapete da sala de estar, e a escada capenga cai estrondosamente para o outro lado.

- Eu sempre disse que odiava trocar lâmpadas!!! Ai que dor!!!



Colibri Inquieto.

domingo, 2 de maio de 2010

Tudo que não existe

Tudo acontecia a poucos passos, em todas as direções.

Havia um ecossistema próprio.

E eu aqui, sem saber ao certo como buscar a intercessão.

Colocar-me em comum.

Colocar-me em coletivo, ou como protagonista de algum modo que não seja senão o meu.


Um homem ao lado fala de forma expressiva.

Quase impositiva.

Gesticula de forma enérgica, sem se importar com o reflexo disso aos demais.

Típica situação de incerteza, se havia vontade dos outros ouvirem, ou de se libertarem de toda aquela história.

O que determina é a força contida na vontade.


Eu por exemplo, homem feito, incompreendido na minha expressão,

Coloco direção à ação, mas à vontade não muito clara.

Isso leva a atos um tanto caóticos, reforçando ainda mais minha incompreensão.


Um senhor à sombra da figueira, parece estar no infinito do seu espaço próprio.

Divagando talvez sobre o vago.

Divagando sobre o incompreendido.


Uma mulher sentanda num banco que parece de praça, fala sobre o seu amigo que está a visitá-la, mas os outros não o enxergam como deveria.


O guarda olha a tudo e a todos, com a frieza padrão, impondo sua superioridade desmedida.


E eu aqui, sem saber ao certo como buscar a intercessão.


Outro dia, recebi uma carta de um velho amigo meu.

Fiquei pois, muito feliz, visto que cartas são coisas que pertencem ao passado.

Agora, a modernidade já nos tomou a vida.

Agora, a vida é cibernética.

E os correios, que acertem o passo.


Então, a carta. A carta do meu amigo.

Quantas surpresas!

Surpresa pela carta por si só.

Surpresa da sua origem: meu amigo tão distante, meu sangue, meu irmão, minha carne.

Eu era a unha, ele a carne.

E de repente, a decepção, o medo, a incerteza, o afastamento... tudo aquilo que constitui um abismo entre uma unha e uma carne.


As coisas deveriam ser mais simples.

Deveria haver uma bula básica, com indicação das coisas que acontecem, e como resolvê-las.

Colocando essa idéia no mundo real, deveria haver um manual de como não gerar problemas.

Veja, o homem existe há muito tempo. Há tanto tempo que nem ele ao certo sabe desde quando existe.

Todas as possibilidades de coisas que poderiam acontecer, já aconteceram.

As atitudes frente a essas coisas também já foram tomadas, validadas, sentidas, sofridas.

Por que ainda não fizeram um manual de tudo isso?

Taí a única coisa que ainda falta ser criada!


Se isso já tivesse sido criado, eu poderia consultá-lo nesse momento.

Com toda a humildade e mente aberta que fosse possível.

Nessa hora, eu buscaria no sumário o capítulo “família”.

E eu aqui, sem saber ao certo como buscar a intercessão.


Ops, o guarda se aproxima de mim.

O guarda com toda aquela pompa de “sabedor de tudo”.

Fala no tom, naquele tom desmedido.

Este guarda, camuflado de enfermeiro, faz questão de não confirmar tudo aquilo que existe dentro de mim.

É... a vida é cruel.

A vida, já foi.


E o meu amigo. Esse meu amigo que resolveu escrever, de forma a me tirar tanto assim dos eixos.

Se é que ainda tenho eixos.

Se é que ainda eu vou me libertar desse manicômio que me prenderam.

Se é que ainda terei a chance de consultar algum manual, de validar se existe eixo em mim, se a unha pode ter ainda sua carne de volta.

Mas o tempo é cruel.

O tempo é tarde.

O tempo, já foi.

consegui

em seguida, voltando, de vagar, com cuidado ..vou.
Escrever. Também. No meu português. Prova prova prova.