Os textos aqui postados foram gerados do processo criativo excitado pelo Márcio Abreu, que nos guiou por duas semanas em rumo à criação artística. (Mês de abril de 2010. Local: Fundação Cultural de Curitiba)
terça-feira, 29 de junho de 2010
É interessante perceber a assimilação cultural pela vivência no Brasil, exposta e manifestada em palavras. Um texto que pode-se chamar de estar em língua presente.
Quem sabe, se tivermos sorte esta noite vai haver um luar.
Um luar bonito para esclarecer idéias duvidosas e tornar inúteis todas as palavras
de gurus respeitáveis. Ao luar eu li os livros mais importantes para mim.
Gostava daquela luz meio fria que parecia passar para o outro lado da página.
As páginas ficavam tranlúcidas, as palavras surgiam de um claror feito leite de sabedoria.
Os olhos abertos demais, pois a luz não era feroz, ao luar a luz era palavra mesmo.
sábado, 5 de junho de 2010
Para o processo
Eu jamais desprezo qualquer observação ou comentário, todos me oferecem alguma coisa, para o bem ou para o mal.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Viagem
Faróis atropelam mariposas.
Árvores soturnas, lua nova.
Pios, urros, pássaros noturnos.
Postes e fios em perspectiva.
Curva em declive
Declives em curvas.
Árvores soturnas
Olhos noturnos.
Pneus assoviam
Pista em rodopios
Freios vazios.
Curva, olhos, uivos.
Precipício... Pneus rodam no ar.
Pedras, galhos, grilos.
Coruja alsa vôo.
Sangue quente e rubro
Brota na testa.
Na bochecha, tão linda!
O corte profundo,
Expõe os dentes.
Socorristas se apressam.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Demorei, mas aí está o meu post!
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Acho que estou louca. Tenho outra voz dentro de mim.
Não é uma voz que aconselha ou critica. Ao contrário, é apenas dada a conversar. Fala das bobagens mais variadas.
Eu nunca dei muita atenção. Quando vem, como quem não quer nada, a me falar do tempo para puxar assunto, eu desconverso. Finjo que não é comigo.
Ela tenta então discutir sobre a vida dos outros, conhecidos.
- Viu fulano?! Está com uma cara estranha, de quem aprontou alguma.
Eu até entrava na conversa dela em um primeiro momento, mas assim que percebia que era a tal voz, eu me calava. Não é correto falar com vozes dentro da gente. Cada pessoa que conheço tem uma voz, apenas uma. E eu sou uma pessoa, apenas uma. Portanto não posso ter outra voz dentro de mim. E se essa voz tentar um dia assumir o meu lugar? Este é um risco que não quero correr.
Mas não se engane, esta voz não é tão amigável quanto parece em um primeiro momento. Ela tenta me enganar constantemente. Muda o seu tom. Imita descaradamente sons que ouço durante o dia. Teve uma vez que até tentou falar em outra língua comigo. Eu não falo outra língua, nunca pude estudar esse tipo de coisa. Mas também, para que? Para falar com vozes estrangeiras na minha cabeça? Não, obrigada!
Eu nem imaginaria que esta vozinha iria me oferecer perigo. Deixei ela de lado, ali abandonada. Mas ela, em um plano vil começou a arquitetar maneiras sórdidas de me influenciar.
Eu não gosto de corvos, mas também não os detesto. Mas a voz sim. Ela não os suporta, nunca suportou. A primeira vez que ouviu já se pôs a reclamar:
- Som horroroso! Pressagia o mal.
Como se ela fosse grande coisa.
Tenho que concordar que são uns animaizinhos estranhos. Olhos grandes. Como se desvendassem meus pensamentos mais obscuros. Mas aí a pressagiar o mal é pura besteira.
Eu segui com minha vida normal, mas sempre que ouvia um corvo, a voz punha-se a gritar. O grande problema era que sempre tinha algum na esquina da minha casa.
Dias atrás, não sei se por cansaço ou pura falta de atenção, a voz foi mais forte que eu, venceu-me por instantes. Rosnou alto:
- Morra seu animal nojento!
Tapei minha boca mas o corvo olhava-me desconfiado. Pouco liguei, nunca me importei com pássaros me encarando. Fui para a casa com seus olhos ainda a me perseguir.
Mal sabia eu que era apenas o início. No dia seguinte eram 2 corvos. No outro, tinham 5. Em uma semana já era um bando.
Sempre me encaravam aonde quer que eu fosse. Cada movimento meu. Penduravam-se na minha janela enquanto eu tomava banho. Voavam disfarçadamente atrás de mim enquanto eu caminhava na rua. Espionavam-me a todo instante. Como se dissessem: eu sei quem você é, sei o que faz, sei aonde vai.
A voz tornou-se insuportável. Ficava irritava e ordenava que eu desse um jeito naquelas criaturinhas abomináveis.
- Mate-os! Mate-os todos!
Enlouquecia meus pensamentos. Deturpava a minha mente. E fazia tudo para me provocar.
Imitava sons de corvos enquanto eu dormia. Soprava provocações quando eu passava por eles. Incitava que eu os liquidasse de uma vez por todas. E até dava sugestões de como matar os pobres animais.
- Dê-lhes veneno! Atire neles! Destrua-os!
Eu não poderia matar aqueles seres inocentes por conta de uma voz. Mas também não poderia suportar aqueles bichos a assombrar a minha vida. Precisava eliminar algum deles. Ou os corvos ou a voz.
Eliminar a voz não seria uma tarefa fácil. Visto que estava dentro de mim, eu teria que entrar em mim mesma para encontrá-la. E como poderia entrar dentro de mim? Não posso revirar os olhos para enxergar dentro do meu corpo. Ou abrir a cabeça e retirar os pensamentos com as mãos, um a um, e separar o que não quero mais do que ainda me serve.
Eu poderia talvez pedir ajuda de alguém. Dizer-lhe:
- Não sou louca, não me entenda mal! Apenas ouço vozes que me dizem para matar coisas. Algo perfeitamente normal, creio eu!
De jeito nenhum. O que diriam de mim? O que as pessoas que conheço pensariam? Todos teriam medo das minhas vozes conversadeiras. Ninguém acreditaria que era apenas uma voz. As pessoas são assim, não costumam acreditar naqueles que são diferentes.
Sobram-me os corvos. Eu poderia matá-los de uma vez! Apenas isso! Afinal aves não vivem mesmo por muito tempo.
Kenya Sato
terça-feira, 11 de maio de 2010
O melhor amigo do homem
Ursx, esses é dos bons!!!
Olha, não sou de beber. Não pense que sou de encher a cara todos os dias. É raro eu tomar uma birita. Só trabalho, feito um condenado. E de que merda adianta? Trabalho, trabalho e trabalho e to sempre na merda.
Mas amigo, me vê mais uma. Ursx-vixe!!!
Tive um dia de cão, mas daquele mais vagabundo que você pode imaginar.
Já ta tarde, né? Que horas são?
Eu queria ter um amigo nessas horas pra poder falar. Mas são tudo uns veado, filho de uma puta.
Tenho certeza que ela me traiu. Só pode! Ela nunca sai maquiada, daquele jeito.
Sabe, garrafa, a vida é uma coisa...
Ontem eu estava muito mal. Pensei que iria estourar meu fígado e rim. Não que eu esteja melhor, vendo que estou falando sozinho...
Ai que dor de cabeça! E já são... OITO E QUINZE!!!
Preciso correr para o trabalho.
Estava muito transtornado.
Tá certo que a vida é uma merda, mas eu tenho o direito de falar.
Posso falar?
É que eu não tinha entendido, achei que você ia me largar.
Você não vai me deixar, né?
Tainá Pires
Clássicos do cinema italiano
Em cartaz:
"As mil e uma noites" 1974
"Mamma Roma" 1962
"Medéia, a feticeira do amor" 1969
"O evangelho segundo São Mateus" 1964
"Desajuste social" 1961
Entre os dias 18 e 23 de maio 2010 às 19h30min.
Local: Paço da Liberdade, Praça Generoso Marques, Centro.
O evento tem a presença do Diretor do Instituto Italiano de Cultura de São
Paulo, Attilio De Gasperis, com a palestra "Pasolini: uma desesperada vitalidade"
no dia 18 de maio às 19h30.
Vamos???
domingo, 9 de maio de 2010
Encontro secreto
Pena que estava tudo tão armado para não nos descobrirem, que não avisei. Estava sem luz elétrica no casebre literário.
Retornando a luz, publica-lo-ei.